Bruno Reis diz que retirada de adesivos eleitorais, determinada pelas concessionárias, atrasou a saída das garagens; federação pró-Lula afirma que veículos seguiam parados depois do horário informado pela prefeitura

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), negou que a Prefeitura tenha orientado a retenção de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25). Em entrevista coletiva, ele atribuiu os atrasos no transporte público à retirada de adesivos de propaganda eleitoral dos veículos, determinada, segundo ele, pelos empresários das concessionárias.
Segundo o prefeito, a administração municipal determinou a ampliação da frota e não houve qualquer interferência para reduzir a oferta de ônibus. A versão dele contrasta com denúncias da federação que apoia o presidente Lula (PT), que levaram o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) a determinar a liberação dos veículos.
O que disse o prefeito
Na coletiva, Bruno Reis afirmou que:
- Parte dos ônibus amanheceu com adesivos de propaganda eleitoral;
- Para cumprir as regras eleitorais, os donos das empresas determinaram a retirada dos adesivos, o que atrasou a operação;
- Quando percebeu que a demora comprometeria o serviço, a Prefeitura autorizou a saída dos ônibus mesmo com os adesivos;
- A operação foi normalizada até as 10h, e a frota foi ampliada entre o fim da manhã e o início da tarde, superando, segundo ele, a de eleições anteriores;
- O secretário responsável pelo setor é um profissional técnico, sem vinculação política.
O prefeito também acusou adversários políticos de explorar o episódio.
Os 75 ônibus retidos
De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), 75 ônibus ficaram retidos nas garagens na manhã de votação por estarem adesivados com símbolos políticos. Mais cedo, ao votar, Bruno Reis havia atribuído os atrasos a problemas operacionais e a mobilizações políticas, e afirmado que os adesivos teriam sido colocados por integrantes de movimentos sindicais. Essa acusação não foi comprovada.
O outro lado: a denúncia da federação de Lula
A federação que apoia Lula denunciou o caso ao TRE-BA. Em petição, relatou que, às 11h05, ônibus ainda permaneciam nas garagens, horário posterior à normalização informada pelo prefeito.
- O TRE-BA determinou a liberação dos veículos e fixou multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento;
- A federação pediu a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza. Segundo a Revista Fórum, com base no portal Metro1, o presidente do TRE-BA confirmou uma ordem de prisão contra o secretário. A informação não havia sido confirmada oficialmente pelo tribunal até a última atualização;
- Bruno Reis classificou o pedido de prisão como desarrazoável.
O secretário Pablo Souza havia admitido atrasos, pedido desculpas à população e dito que determinou a liberação dos ônibus antes da retirada completa dos adesivos.
O caso de Salvador foi um dos citados pela campanha de Lula ao pedir a prorrogação do horário de votação, concedida pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, até as 19h nas seções que ainda estavam abertas. Mais cedo, Lula afirmou que empresários ou prefeitos teriam tentado impedir o voto.
O que ainda não foi esclarecido
- Quem colocou os adesivos nos ônibus e de qual candidato era a propaganda;
- Por quanto tempo os veículos ficaram efetivamente parados e quantos eleitores foram afetados;
- Se houve ordem formal de prisão contra o secretário e se ela foi cumprida;
- Se as concessionárias confirmam a versão do prefeito. [posição das empresas]
- Se o caso será investigado como crime eleitoral.
Antes de compartilhar
As versões da Prefeitura e da federação de Lula são conflitantes e ainda dependem de apuração da Justiça Eleitoral. Evite compartilhar vídeos ou prints sobre ônibus parados sem data, horário e local confirmados.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
O caso aconteceu em Salvador e não tem ligação direta com Sete Lagoas ou Minas Gerais. Em Minas, o transporte intermunicipal urbano e metropolitano foi gratuito neste domingo por determinação da Justiça Eleitoral, e o Veja Minas não recebeu relatos de retenção de ônibus em Sete Lagoas até a última atualização.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.
Informações: Itatiaia; Jornal de Brasília; Times Brasil; Revista Fórum; Bahia.ba.




