Em entrevista no dia do segundo turno, deputado mineiro disse que Flávio Bolsonaro será eleito e que a esquerda quer “tumultuar”; parte dos argumentos tem base histórica, mas o exemplo venezuelano e a cronologia dos pedidos de prorrogação não conferem

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou, em entrevista neste domingo (25), dia do segundo turno, que tem certeza de que Flávio Bolsonaro (PL) será anunciado presidente da República ainda hoje. Ele voltou a criticar a prorrogação da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e disse que a decisão teve como objetivo gerar tumulto.
Para sustentar o argumento, Nikolas citou as eleições de 2015 na Venezuela, que também tiveram o horário estendido até as 19h, e afirmou que Nicolás Maduro venceu. A afirmação está errada: naquela eleição, a oposição a Maduro conquistou a maioria do Parlamento.
O que disse Nikolas
- Quem sai na frente no primeiro turno e quem vence em Minas Gerais ganha a eleição no Brasil desde 1989;
- O Datafolha mostrava Flávio à frente na véspera;
- O PT pediu prorrogação em cidades da Bahia, e o PL então teria pedido que a medida valesse para o Brasil inteiro;
- Zanin esperou até perto das 17h para estender a votação a todo o país, em uma decisão que, segundo ele, visava gerar tumulto;
- A esquerda, como um time que está perdendo, só teria a chance de tumultuar para vencer;
- Se Flávio perder, o único lado prejudicado pela prorrogação seria a direita;
- Na Venezuela, em 2015, a votação foi prorrogada até as 19h, houve problemas no transporte e Maduro venceu.
O deputado encerrou a entrevista dizendo que iria comemorar com um churrasco.
O que dizem os fatos
Venezuela, 2015: quem venceu foi a oposição. Nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) estendeu a votação por uma hora, até as 19h, alegando que ainda havia eleitores na fila. A oposição criticou a medida, mas venceu: a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) conquistou 112 das 167 cadeiras da Assembleia Nacional, contra 55 do partido de Maduro. Maduro não estava na cédula, já que a eleição era legislativa.
O PL não pediu prorrogação para todo o país. A coligação de Lula pediu primeiro a extensão em cidades com problemas no transporte, como na Bahia, e depois recorreu ao STF para que a medida valesse em todo o Brasil, pedido atendido por Zanin. A campanha de Flávio pediu ao TSE a prorrogação em municípios atingidos por chuvas, alagamentos e falta de energia, não no país inteiro.
Primeiro turno: Flávio saiu na frente. Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. É verdade que, de 1989 a 2022, quem liderou o primeiro turno venceu a eleição. Trata-se, porém, de um padrão histórico, e não de uma regra.
Pesquisas apontavam empate técnico. O Datafolha divulgado na quinta-feira (22) mostrou Flávio com 47% e Lula com 46%, e 50% a 50% nos votos válidos, com margem de erro de dois pontos. Ou seja, empate técnico. No primeiro turno, a última pesquisa do instituto havia mostrado Lula numericamente à frente, mas Flávio terminou em primeiro.
Decisão foi do STF. A prorrogação foi determinada por Zanin, e não pelo TSE, que apenas cumpriu a decisão. O ministro esclareceu depois que a medida vale só para seções que ainda estavam abertas. A afirmação de que a decisão foi tomada para gerar tumulto é opinião do deputado.
O que ainda não foi esclarecido
- Quantas seções ficaram abertas até as 19h e quantos eleitores votaram no horário estendido;
- Se a prorrogação teve algum efeito no resultado;
- Se o PT ou a campanha de Lula vão responder às declarações. [resposta do PT]
Antes de compartilhar
- O resultado oficial é divulgado apenas pelo TSE.
- Padrões históricos e pesquisas não garantem resultado.
- O exemplo da Venezuela citado no vídeo não corresponde aos fatos: a oposição venceu aquela eleição. Ao compartilhar o vídeo, informe a correção.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
Nikolas Ferreira foi eleito deputado federal por Minas Gerais, estado que ele citou como “termômetro” da eleição presidencial. De fato, desde 1989, o candidato mais votado em Minas venceu a disputa nacional, mas isso também é um padrão histórico, e não uma regra. Os eleitores de Sete Lagoas e do estado acompanham a apuração nesta noite.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.
Informações: vídeo publicado por Nikolas Ferreira nas redes sociais; TSE; STF; Datafolha; CNE da Venezuela (via agências internacionais).




