O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou, em 2023, quase R$ 200 mil em emenda parlamentar para um projeto de futebol infantil no Rio de Janeiro após um pedido feito por Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, segundo reportagem publicada pela revista piauí.

Peixe foi posteriormente condenado por integrar uma organização criminosa armada ligada aos irmãos Brazão, apontados e condenados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Mensagem falava em “nosso Senador”
Segundo a reportagem, mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram Peixe conversando com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar do gabinete de Flávio.
Em uma mensagem de outubro de 2023, ele teria escrito:
“Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.”
A assessora respondeu solicitando que o pedido fosse enviado formalmente por e-mail ou ofício.
Dias depois, ela também teria orientado Peixe a reforçar pessoalmente a solicitação com Flávio durante um evento no Rio de Janeiro.
Projeto recebeu R$ 199.999,79
O pedido envolvia o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado na Taquara, Zona Oeste do Rio.
Em novembro de 2023, o instituto recebeu R$ 199.999,79 para o projeto “Jogadores do Futuro”.
O recurso teve origem em uma emenda parlamentar apresentada por Flávio Bolsonaro e passou pelo Ministério do Esporte.
TCU apontou irregularidades na execução
Posteriormente, técnicos do Tribunal de Contas da União analisaram contratações realizadas com os recursos e apontaram possíveis irregularidades.
Entre os pontos questionados estava a contratação de um escritório de advocacia para coordenar o projeto esportivo. O responsável pelo escritório também era presidente do próprio instituto beneficiado.
O TCU também levantou questionamentos sobre cotações de preços e possível conflito de interesses.
O Ifop afirmou que contestará as conclusões e defendeu que suas contratações seguiram as regras aplicáveis às organizações da sociedade civil.
Peixe foi condenado
Robson Calixto Fonseca é citado nas investigações do assassinato de Marielle Franco como integrante da estrutura ligada aos irmãos Brazão.
Segundo a colaboração premiada de Ronnie Lessa, Peixe teria participado da aproximação entre o executor e os mandantes do crime e também teria providenciado a arma utilizada no assassinato.
Peixe negou essas acusações.
Ele foi condenado a nove anos de prisão por atuação em organização criminosa armada ligada ao grupo dos Brazão.
Flávio foi procurado
A reportagem da piauí afirmou que procurou Flávio Bolsonaro, Peixe e a assessora citada nas mensagens, mas não recebeu resposta até a publicação.
O Ifop declarou que nunca manteve contato direto com Flávio e afirmou que projetos da entidade eram apresentados a diversos gabinetes do Senado e da Câmara.
Reportagens posteriores registraram posicionamento da campanha de Flávio segundo o qual os repasses foram realizados dentro da legislação e seguiram critérios técnicos.
A existência da emenda, por si só, não comprova participação do senador em atividades criminosas. As investigações concentram-se nas relações, na destinação e na aplicação dos recursos públicos.




