Cena foi gravada na saída de um colégio em Botafogo; ao ouvir que um dos homens era judeu, mulher teria respondido “pior ainda”. PM que presenciou disse não ter visto nada

Uma eleitora fez uma saudação nazista ao sair da votação no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, neste domingo (25), dia do segundo turno. A cena foi gravada por dois amigos, um deles judeu, que interpelaram a mulher, e presenciada por um policial militar.
Os amigos registraram ocorrência como injúria por preconceito na 10ª DP. Segundo a polícia, a mulher já teria sido identificada pelas imagens, mas sua identidade não foi divulgada.
O que aconteceu
Segundo o relato dos envolvidos e a nota da Federação Israelita do Rio:
- A mulher teria feito a saudação nazista repetidas vezes, mesmo após ser questionada por quem presenciou a cena;
- Quando um dos homens disse que era judeu, ela teria respondido “pior ainda”;
- Ela vestia uma camiseta com a frase “Meu partido é o Brasil” e um boné com o slogan “Make America Great Again”.
Por que o caso foi registrado como injúria
O policial civil João Paulo Nunes, que registrou a ocorrência, explicou que a resposta da mulher após saber que o homem era judeu caracterizou uma ofensa direcionada a uma pessoa específica, e não apenas um gesto contra um grupo, o que levou ao enquadramento como injúria por preconceito.
O que disse o PM que presenciou a cena
Questionado pelo UOL sobre por que não agiu, o sargento Freitas, policial militar que aparece no vídeo, perguntou se o gesto seria crime e afirmou que não presenciou nada. Segundo ele, o caso deveria ser levado à delegacia, por ser trabalho da Polícia Civil.
O homem que foi alvo da ofensa disse ao UOL que nunca havia passado por isso, que espera que a mulher seja identificada e punida e questionou a falta de reação do policial militar diante do gesto.
Federação Israelita repudia
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) divulgou nota de repúdio. A entidade classificou o gesto como inaceitável, afirmou que ele ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta a democracia e a memória das vítimas do nazismo. A Fierj informou que enviou notificação formal à polícia para que a responsável seja identificada e punida.
O que diz a lei
A legislação brasileira pune com prisão a prática e a incitação de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, incluindo a divulgação do nazismo. Desde 2023, a injúria racial é equiparada ao crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível.
O que ainda não foi esclarecido
- A identidade da mulher e se ela já foi ouvida pela polícia;
- Se o caso também será investigado como apologia ao nazismo;
- Se a Polícia Militar vai apurar a conduta do sargento que presenciou a cena;
- O que diz a defesa da mulher. [posição da defesa]
Antes de compartilhar
A mulher ainda não foi identificada oficialmente. Não compartilhe nomes, perfis ou fotos atribuídos a ela nas redes sem confirmação da polícia: acusar a pessoa errada pode causar danos graves a um inocente.
Serviço
- Disque 100: denúncias de discriminação racial, étnica ou religiosa (gratuito, 24 horas)
- 190: Polícia Militar, em situação de emergência
- Casos de racismo e injúria também podem ser registrados em qualquer delegacia
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
O caso aconteceu no Rio de Janeiro e não tem ligação com Sete Lagoas ou Minas Gerais. Manifestações de ódio e discriminação podem ser denunciadas em qualquer lugar do país pelo Disque 100.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.
Informações: UOL; Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj).




