Operação Backbone cumpriu 20 dos 23 mandados de prisão preventiva até a última atualização. Um vereador do Rio também foi preso. A PF afirma que a “internet do tráfico” é uma das principais fontes de lucro da facção.

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta segunda-feira (19), a mãe e um irmão do rapper Oruam na Operação Backbone, que combate o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV). Os presos são Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, que eram alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Todos os citados são suspeitos; as acusações abaixo são da PF e ainda não foram julgadas.
Os números da operação
- Mandados: a PF saiu para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.
- Prisões: até a última atualização, 20 mandados de prisão haviam sido cumpridos.
- Vereador: também foi preso o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos), localizado em Londrina (PR).
- Pai de Oruam: o mandado contra Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, foi cumprido no sistema prisional, já que ele já estava preso.
- Bloqueio de bens: a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas dessas empresas, entre provedores de internet, produtoras de eventos, firmas de contabilidade e empresas de fachada.
O que a PF afirma
O objetivo da operação é desarticular a estrutura de provedores do tráfico que atuam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a PF, essas empresas também lavam dinheiro para o CV.
A PF afirma que Marcinho VP “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”. Segundo a corporação, os lucros chegavam à família por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro vivo e criptoativos.
De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a “internet do tráfico”. Os provedores autorizados pela facção pagam uma “tarifa” mensal pelo direito de operar no território.
Segundo a PF, registros contábeis da facção indicam que, em um único mês, a cobrança do serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
A Anatel será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos provedores, com medidas para garantir a continuidade do serviço aos moradores.
Quais crimes são investigados
Os investigados responderão por domínio social estruturado, crime que pune grupos que usam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial. Podem responder também por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro, conforme as diretrizes do STF na ADPF 635.
Outras investigações
- Em abril, Oruam, Márcia e Lucca foram alvos de mandados de prisão em uma fase da Operação Contenção, da Polícia Civil do Rio, por suspeita de lavar dinheiro para o CV. Eles não foram encontrados.
- Em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O que ainda não foi esclarecido
No material disponível, não constam:
- se Oruam é investigado neste inquérito: segundo o g1, não se sabia;
- a defesa dos presos, do vereador e das empresas citadas;
- a situação dos três mandados de prisão ainda não cumpridos;
- como será mantido o serviço de internet aos moradores após a interdição dos provedores.
A mãe, o irmão e os demais citados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Ser parente de um investigado não indica, por si só, culpa.
Denúncia
Informações sobre crimes como esses podem ser passadas à Polícia Federal pelo 194.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
A operação aconteceu no Rio de Janeiro e em outras cidades fluminenses, além de Londrina (PR). O material disponível não cita Sete Lagoas nem Minas Gerais. O caso interessa ao público em geral por mostrar, segundo a PF, como uma facção explora serviços essenciais como a internet para lucrar e controlar territórios.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver manifestação dos citados ou novidades da investigação.
Informações: g1 Rio de Janeiro e Polícia Federal.




