Aula gravada pelas câmeras da escola mostra docente associando o candidato ao fascismo e apontando crianças pela cor da pele; prefeitura abriu procedimento e acionou Ministério Público do Trabalho, Justiça e Conselho Tutelar

Uma professora da rede municipal de Potirendaba, no interior de São Paulo, foi afastada depois de dizer, durante uma aula para crianças de 11 anos, que alguns alunos morreriam em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo as imagens, ela usou a cor da pele das crianças para apontar quem sobreviveria ou não. A cena foi registrada pelas câmeras com áudio da própria sala.
A Prefeitura de Potirendaba abriu um procedimento para apurar a conduta da servidora. O caso foi levado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Juízo da Infância e da Juventude e ao Conselho Tutelar. O nome da professora não foi divulgado.
O que mostram as imagens
De acordo com a gravação divulgada:
- A professora diz que o país corre o risco de “virar um fascismo” e liga o regime à extrema direita e ao lema “Deus, Pátria e Família”;
- Quando um aluno pergunta se isso é a mesma coisa que Flávio Bolsonaro, ela confirma e cita também o ex-presidente Jair Bolsonaro;
- Ela afirma que Flávio quer fazer “a mesma coisa que o Mussolini fez”. Segundo reportagens, a docente também mencionou Adolf Hitler e trocou os países ao se referir aos dois ditadores;
- Na sequência, passa a apontar quais crianças morreriam, usando a cor da pele delas. A uma aluna, diz: “Você ia morrer, você é parda”;
- A outro aluno, afirma que ele estava com “um pezinho na senzala”. Segundo a imprensa, ela disse ainda que um colega sobreviveria por ser loiro e de olhos claros.
Como o caso veio à tona
O episódio chegou à prefeitura depois que a mãe de uma aluna de 11 anos relatou que a filha chegou em casa chorando e assustada com o que ouviu em sala.
A prefeita Gislaine “Gi” Franzotti (PL) divulgou o vídeo da aula em suas redes sociais na quarta-feira (21). Segundo ela, o sistema de monitoramento com áudio da escola permitiu confirmar o relato da família.
O que diz a prefeitura
Em nota, a prefeitura informou ter tomado conhecimento de relatos graves sobre a conduta de uma professora da rede municipal e afirmou que as falas causaram medo e abalo emocional nas crianças. A administração afastou a servidora, abriu sindicância e acionou os órgãos de proteção à infância.
Contexto eleitoral
O caso ocorre na reta final da campanha presidencial. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno neste domingo (25). A prefeita que divulgou as imagens é filiada ao mesmo partido de Flávio. A fonte não traz manifestação das campanhas sobre o episódio.
O que ainda não foi esclarecido
- A identidade da professora e a versão dela sobre o ocorrido;
- A disciplina ministrada e a data exata da aula;
- Qual será a atuação específica do MPT no caso;
- Se haverá desdobramento na esfera criminal;
- O prazo e o resultado da sindicância aberta pela prefeitura;
- Se o vídeo divulgado preservou a imagem e a voz das crianças.
Antes de compartilhar
- Não compartilhe versões do vídeo em que apareçam rostos ou vozes identificáveis dos alunos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege a imagem e a identidade de menores.
- Não divulgue nomes de crianças, familiares ou da professora sem confirmação oficial.
- A docente é alvo de apuração administrativa, e não há decisão sobre o caso até o momento.
Serviço: proteção à criança e denúncia de discriminação
- Disque 100: Direitos Humanos, recebe denúncias de violações contra crianças e de discriminação racial (gratuito, 24 horas)
- Conselho Tutelar do seu município
- 190: Polícia Militar, em situação de emergência
Se seu filho relatar algo semelhante na escola, ouça a criança com calma, registre o que ela contou e procure a direção da escola e o Conselho Tutelar.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
O caso aconteceu no interior de São Paulo e não tem ligação direta com Sete Lagoas ou Minas Gerais. Situações de discriminação em escolas da região podem ser denunciadas ao Conselho Tutelar do município e pelo Disque 100.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.
Informações: [veículo da fonte]; Prefeitura de Potirendaba; Poder360; Gazeta do Povo.




